Thursday, October 20, 2005

O erro de Freud; menosprezar as paixões francesas



Os meus conterrâneos franceses, mais precisamente a casta elitista dos intelectuais (parecem ter parado no tempo nos anos 70), andam todos entretidos ao... colocar em análise a psicoanálise e denegri-la na figura preminente do Sr. Freud (Freyuede). Será complexo de Édipo, síndroma de Electra, recalcamento, não tão subconsciente quanto isso, ou uma gigantesca lavagem de roupa suja entre especialistas e conclusões menos conclusivas sobre o real efeito da análise? Não convidaram Woody Allen but I bet he would just love doing a movie about it... entre dois concertos de Jazz.
Afinal esta obra permite aos que não a conhecem realmente (para além dos conceitos que nos foram de uma forma muito superficial apresentados em Psicologia para quem seguiu Letras há uns 20 anos atrás) abordar as práticas freudianas e pós-freudianas, ter uma ideia sobre a psicánalise e, para quem domina o assunto, ou já teve sessões de análise, poder avaliar por mais "contraditório" (uma palavra na moda no mundo político) que seja, o assunto. Ao mesmo tempo sairam vários romances e ensaios sobre o tema, em particular o de Christine Orban (a dupla análise que revela o título já é um must), imagine-se então outra análise - uma senhora é casada em segundas núpcias com o Sr. "Plon". Duas vezes por semana(trad. da red.) aborda a análise e exlica que, numa altura muito triste da sua vida, recomendaram-lhe acompanhar o jovem marido, um jovem com um cancro, numa ida ao psicanalista.
Tive sempre medo das análises: de sangue, porque não me encontram as veias, a seguir pelo número de dígitos do colesterol, receava as análises de texto (especialmente em português) e estou convicta que Alexandre Herculano precisaria de ser analisado freudianamente.
Agora, a análise do orçamento de estado e das combinações políticas em Portugal levam-me a achar que algumas pessoas neste país (e tenho igualmente uma lista de figuras estrangeiras na minha mente) ganhariam em se analisar, nem que seja com argumentos meio oníricos. Mas se o Freud estava errado então é mesmo verdade que só as mitologias das telenovelas e do Sr. Kléber, tanto doce com morangos, espalham na sociedade portuguesa, conseguem mesmo fazer análise psi-barata e audiovisual. E aí quase toda gente (a julgar pelo modo como somos questionados sobre programas televisivos pelo telefone por aqueles call centre men, que nem sabem falar, debitam) faz mesmo psicanálise. Como se sabe os meus conterrâneos andam um pouco perdidos: andam com um enorme complexo de inferioridade e tentam agora matar o pai... de uma noção em análise.
Boa análise!

Thursday, September 15, 2005

Canibalistas em miniatura


Este livro de uma jovem mulher dos Camarões, francófona, foi publicitado hoje em "Bateau Livre" uma das actuais 10 emissões sobre livros que a TV francesa propõe. Esta funciona por temática. Hoje, era sobre a identidade. O livro não tem um mês mas, parece-me, vai dar muito que falar: trata-se de saber como uma criança (da Libéria, a autora confessou a sua fonte de inspiração) é capaz de pegar nas armas e matar o seu próximo. A jovem africana está convencida que a revolução é impossível na África porque lá aceita-se tudo como sendo a vontade de Deus... Fatalistas? Talvez. Também defende que muito da culpa daquilo que se passa no continente do futuro é devida às relações que os Africanos tecem entre si. Não é um livro sobre o que fizeram aos africanos (o pós-colonialismo já era) mas o que os africanos têm feito a si-mesmos. Receio que a africanidade, a negritude, o Swahili e outros conhecimentos que o Europeu detém sobre a África não sejam suficientes para entender, por ora, as culturas africanas. Entre canibalismo, realismo e fatalismo, há com certeza várias identidades que, uma vez clarificadas, trarão calma e luz no interior da noite africana. Fiat Lux.
A história trata de canibalismo. Não contarei mais. Mas espero ler o livro em breve...

Sunday, September 11, 2005

Anti-terrorism(o)(s)

Anti-terrorismo/anti-terrorism

Relembrar o dia 11 de Setembro é sublinhar que todas as formas de extremismos são erradas e anti-produtivas. Os agentes do terror são os primeiros a não lucrar com esta forma de agir. De Bin Laden a Mister Bush, os mais mediáticos até aos menos célebres e anónimos que atacam no segredo do lar, na rua, no escritório, nas escolas, nas faculdades, nas ONG, nos hospitais e outros "locus horrendus" segregam, violam, abusam, usam mentes e corpos...

A special thought for Americans, Afghanis and Irakis people...

Wednesday, August 10, 2005

Bloc-note

Anti-ismos...

O antiamericanismo francês sob forma de tese de American Studies está a sofrer das investidas de um químico chato e que mete muita água. Na falta de água, e quando já só faltam, 28 páginas e não sei quantos caracteres para acabar esta tese, nasce um blog. Não preciso de H2O pois será alimentado por sopa de letrrrrrrrrrrrras, algo que eu domino perfeitamente em três línguas.
Desculpar-me-ão mas não tenho um português condigno e então posso dar muitos pontapés na gramática e no vocabulário. Hoje não tenho "ismos" na mente por falar (para dentro) de tantos "isms" relacionados com a América... para propor porque está na hora do meu telejornal na TV5... mas amanhã, terei já achas para o fogueirismo...