O erro de Freud; menosprezar as paixões francesas

Os meus conterrâneos franceses, mais precisamente a casta elitista dos intelectuais (parecem ter parado no tempo nos anos 70), andam todos entretidos ao... colocar em análise a psicoanálise e denegri-la na figura preminente do Sr. Freud (Freyuede). Será complexo de Édipo, síndroma de Electra, recalcamento, não tão subconsciente quanto isso, ou uma gigantesca lavagem de roupa suja entre especialistas e conclusões menos conclusivas sobre o real efeito da análise? Não convidaram Woody Allen but I bet he would just love doing a movie about it... entre dois concertos de Jazz.
Afinal esta obra permite aos que não a conhecem realmente (para além dos conceitos que nos foram de uma forma muito superficial apresentados em Psicologia para quem seguiu Letras há uns 20 anos atrás) abordar as práticas freudianas e pós-freudianas, ter uma ideia sobre a psicánalise e, para quem domina o assunto, ou já teve sessões de análise, poder avaliar por mais "contraditório" (uma palavra na moda no mundo político) que seja, o assunto. Ao mesmo tempo sairam vários romances e ensaios sobre o tema, em particular o de Christine Orban (a dupla análise que revela o título já é um must), imagine-se então outra análise - uma senhora é casada em segundas núpcias com o Sr. "Plon". Duas vezes por semana(trad. da red.) aborda a análise e exlica que, numa altura muito triste da sua vida, recomendaram-lhe acompanhar o jovem marido, um jovem com um cancro, numa ida ao psicanalista.
Tive sempre medo das análises: de sangue, porque não me encontram as veias, a seguir pelo número de dígitos do colesterol, receava as análises de texto (especialmente em português) e estou convicta que Alexandre Herculano precisaria de ser analisado freudianamente.
Agora, a análise do orçamento de estado e das combinações políticas em Portugal levam-me a achar que algumas pessoas neste país (e tenho igualmente uma lista de figuras estrangeiras na minha mente) ganhariam em se analisar, nem que seja com argumentos meio oníricos. Mas se o Freud estava errado então é mesmo verdade que só as mitologias das telenovelas e do Sr. Kléber, tanto doce com morangos, espalham na sociedade portuguesa, conseguem mesmo fazer análise psi-barata e audiovisual. E aí quase toda gente (a julgar pelo modo como somos questionados sobre programas televisivos pelo telefone por aqueles call centre men, que nem sabem falar, debitam) faz mesmo psicanálise. Como se sabe os meus conterrâneos andam um pouco perdidos: andam com um enorme complexo de inferioridade e tentam agora matar o pai... de uma noção em análise.
Boa análise!

